Quando percebes as madeiras de tom, nunca mais olhas para uma guitarra da mesma forma.
Já observaste um guitarrista deslizar a mão lentamente pelo fundo de uma Martin antiga, como se estivesse a ler Braille? Ou passar 45 minutos numa loja de guitarras a bater nos corpos e a acenar para si próprio, com a serenidade confiante de um sommelier a provar em silêncio? Se alguma vez assististe a esse ritual sem perceber o que se passava — este texto é para ti. A resposta, quase sempre, é a mesma: estão a pensar em madeiras de tom.
O que é exatamente uma madeira de tom?
Na sua definição mais simples, uma madeira de tom é qualquer madeira usada na construção de guitarras precisamente pelo efeito que tem no som. Nem todas as madeiras são iguais do ponto de vista tonal. Algumas espécies são densas e brilhantes. Outras, quentes e suaves. Algumas ressoam de forma a fazer a nota florescer e sustentar-se; outras cortam-na curta e seca.
Imagina a guitarra como um altifalante. A madeira de tom é a caixa onde ele vive — mesma eletrónica, caixa diferente, som completamente diferente.
A madeira não serve apenas para segurar o instrumento. A madeira é o som. Os luthiers passaram séculos obcecados com a escolha da espécie certa para a tampo, o fundo, os ilhós e o braço. As suas decisões explicam porque é que uma guitarra de 300 euros soa como uma guitarra de 300 euros, e uma de 3.000 euros soa como algo completamente diferente.
As quatro madeiras que mais importam
Denso, escuro e profundamente ressonante — graves ricos, um médio tão complexo que quase canta. Os guitarristas dizem frequentemente que uma escala de pau-rosa faz com que os acordes mais simples soem como se tivessem três notas extra escondidas dentro. A escala de uma Gibson Les Paul Standard. O fundo e os ilhós de uma Martin D-28.
Claro, de grão fechado e tonalmente transparente — não acrescenta a sua própria cor ao som, o que é precisamente o que os construtores apreciam nele. Deixa a técnica do músico expressar-se com clareza, com um ataque nítido e articulado. Praticamente todos os braços de Fender Stratocaster são de bordo.
A nogueira situa-se entre o pau-rosa e o bordo: quente sem ser turva, detalhada sem ser frágil. O seu veio castanho-chocolate aprofunda-se lindamente com os anos, e supera as expectativas nas frequências médias que se destacam no mix de uma banda. A Taylor Guitars usa nogueira para fundos e ilhós em várias das suas linhas.
A cerejeira surpreende. Recém-cortada é pálida, quase sem personalidade. Dá-lhe alguns anos de exposição à luz e transforma-se — aprofundando-se num rico âmbar avermelhado. Tonalmente suave e centrada nos médios. A Seagull Guitars usa cerejeira para fundos e ilhós nas suas linhas principais, incluindo a S6, Entourage e Coastline.
Porque é que importa realmente aos guitarristas?
Porque o ouvem. Um músico experiente pode pegar em duas guitarras de construção idêntica — uma com escala de pau-rosa, outra de bordo — e dizer-te imediatamente qual é qual depois de tocar apenas algumas notas. A diferença é subtil, mas é real.
Ao longo de milhares de horas de prática, a escolha da madeira molda a forma como o instrumento responde ao toque, quanto tempo as notas se sustentam, como os acordes respiram e se dissolvem. Também importa esteticamente — uma guitarra é muitas vezes o objeto mais pessoal que um músico possui. O veio da madeira, a forma como capta a luz, o cheiro de um estojo novo. Estes pormenores tornam-se parte da relação entre um músico e o seu instrumento.
Não só guitarras
Estas madeiras não vivem apenas dentro das guitarras. Na PickandCase usamos as mesmas madeiras de tom — nogueira, cerejeira, bordo, pau-rosa — para fabricar artesanalmente as nossas caixas de palhetas em madeira. Cada peça começa como uma tábua cuidadosamente escolhida, gravada com precisão e acabada à mão por encomenda.
A madeira que molda o som da tua guitarra deve ser também a madeira que guarda as tuas palhetas. Faz simplesmente sentido.
As madeiras de tom não são misticismo de fãs de equipamento — são reais, audíveis e profundamente ligadas à identidade de cada grande guitarra alguma vez construída. Assim que começas a prestar atenção, encontrá-las-ás em todo o lado: no calor de uma acústica vintage, no estalo brilhante de uma Tele, na forma como um acorde flutua no ar um momento a mais numa guitarra do que noutra.
A melhor forma de as compreender é também a mais antiga: entra numa boa loja de guitarras, toca o maior número possível de instrumentos e ouve as diferenças. Os teus ouvidos farão o resto.
Usamos essas mesmas madeiras de tom para fabricar artesanalmente cada caixa de palhetas em pickandcase.com. Cada peça é feita por encomenda, acabada à mão e pode ser gravada com o que tiver significado para ti.