Faltava uma semana para o aniversário de Jeanne.
Eu não tinha plano nenhum — apenas uma oficina cheia de ferramentas e um bloco de nogueira que eu vinha guardando para o momento certo. Sabia que ela deixava palhetas em todo lugar: na mesa de centro, no parapeito da janela, no fundo da bolsa. Então decidi fazer uma caixa para ela. Sentei naquela noite e comecei a cortar. Não estava pensando em mais nada — só em acertar as proporções, garantir que a tampa encaixasse do jeito que eu queria e terminar antes que ela acordasse.
Um começo inesperado

Jeanne adorou. Mas o que surpreendeu nós dois foi o que aconteceu depois.
Naquele fim de semana, vieram alguns amigos — a maioria músicos, alguns artistas. A caixa passou de mão em mão ao redor da mesa, e todo mundo queria saber de onde tinha vindo. Quando eu disse que tinha feito, houve um silêncio por um instante. Aquele tipo particular de silêncio — que acontece quando as pessoas percebem que estão segurando algo real.
Três deles perguntaram se eu podia fazer uma para eles.
Foi assim que a PickandCase começou. Sem plano de negócios, sem apresentação formal. Apenas uma pequena caixa de madeira que parecia significar algo, e um grupo de amigos que reconheceu isso.
Por que madeiras tonais
Estudei escultura na Accademia di Belle Arti di Bologna. Jeanne se formou na École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs em Paris e é guitarrista. Quando sentamos para pensar seriamente sobre materiais, a resposta veio do lado dela da conversa.
Nogueira, cerejeira, bordo, jacarandá — são as madeiras usadas na construção de violões. Os luthiers as escolhem por suas propriedades acústicas, mas também pela forma como mudam com o tempo: a textura que desenvolvem ao envelhecer, como se sentem nas mãos, como ficam depois de décadas de uso. Um violão feito de boa madeira só melhora com o tempo. Os veios se aprofundam. A superfície adquire um calor que é difícil de reproduzir artificialmente.
Isso pareceu certo para um porta-palhetas. Algo que guarda as palhetas de um guitarrista deveria vir da mesma família de materiais do instrumento. É um detalhe pequeno — mas no trabalho artesanal, os detalhes pequenos geralmente são tudo.
Cada madeira tem seu próprio caráter. A nogueira é escura e profunda, com veios retos que retêm a gravação com nitidez. A cerejeira começa clara e escurece lentamente até um castanho avermelhado — uma madeira que muda junto com você. O bordo é claro e limpo, quase arquitetônico. O jacarandá é denso e substancial; ele parece sério nas mãos.
Usamos essas madeiras não porque são caras, mas porque são honestas.
Elas se comportam de forma previsível, aceitam bem o acabamento manual e duram.
Cada peça é feita para alguém
Uma das primeiras decisões que tomamos — e que jamais reconsideramos — é que não mantemos estoque.
Cada peça é feita depois que alguém faz o pedido. Quando você compra um porta-palhetas conosco, estou fazendo aquela peça específica para você: seleciono a madeira, corto, modelo, lixo, dou acabamento e gravo, se você pediu. Todo o processo leva tempo, e acredito que esse tempo faz parte do que você recebe.

Um nome gravado em nogueira não é um adesivo nem uma impressão. Está esculpido na superfície. É permanente. Daqui a trinta anos, se aquele porta-palhetas ainda estiver na estante de alguém — e espero sinceramente que esteja — a gravação ainda estará lá, tão nítida quanto no dia em que foi feita.
Às vezes me perguntam por que não produzimos mais, não crescemos, não enviamos mais rápido. Minha resposta é que a nossa forma de trabalhar é o produto em si. Tire o trabalho manual, a produção sob encomenda, o tempo — e você terá algo completamente diferente. Talvez algo perfeitamente bom, mas não isso.
O que realmente estamos fazendo
Jeanne diz assim: a maioria das palhetas de guitarra acaba no chão. Desaparecem entre as almofadas do sofá, são esquecidas em bolsos de jaqueta, emprestadas e nunca devolvidas. Um porta-palhetas não muda nada disso.

Mas ele diz algo. Diz que alguém pensou em você especificamente. Diz que o seu jeito de tocar merece um pouco de cerimônia.
É isso que estou tentando fazer. Não apenas um objeto, mas um gesto que permanece.
Continuo trabalhando do mesmo jeito que naquela primeira noite — à mão, devagar, com atenção. As ferramentas melhoraram. O processo se refinou. Mas a intenção não mudou: fazer algo real, fazer bem feito, e fazer para uma pessoa específica.
Venha ver o que fazemos em pickandcase.com. Cada peça é feita à mão sob encomenda, e a maioria pode ser personalizada com um nome, uma data ou uma frase curta. Se tiver qualquer dúvida sobre um pedido personalizado, é só nos escrever — lemos cada mensagem pessoalmente.