É uma sensação diferente. Difícil de explicar para quem não passou anos sem ela.

Passei anos na joalharia fina. Sobretudo na cravação de pedras — ágata, madrepérola, os materiais que recompensam quem tem paciência. Adorava trabalhar com eles. O que não adorava era o modo como tudo funcionava.
Nesse mundo, segue-se o briefing. Um designer principal entrega-te um desenho e tu executa-o — com precisão, sem grande margem para opinião. Na maior parte das vezes, está bem. Mas havia momentos em que trabalhava numa peça e pensava: isto podia ser melhor. Um ângulo de cravação diferente, outra forma de deixar o material respirar. Coisas pequenas, mas em que acreditava sinceramente. A resposta era quase sempre não. Não porque a minha ideia estivesse errada, mas porque não era assim que as coisas funcionavam. Estás ali para executar, não para criar.
Com o tempo, começas a sentir-te como uma máquina muito cara.
Quando um amigo me enviou o link da PickandCase, não estava à procura de nada. Mas fiquei algum tempo no site e algo me deteve.
Cada peça é feita para uma única pessoa, específica. Não um segmento de clientes, não um perfil demográfico — uma pessoa que fez uma encomenda e está à espera de algo criado só para ela. Essa ideia soou-me a algo profundamente familiar. Na joalharia fina no seu melhor, é exactamente isso que fazes — crias algo que vai pertencer a uma só pessoa, que carrega a história dela. Só que em algum ponto do caminho, o sector tinha-se afastado disso. A PickandCase não.
Contactei o Oakley. Falámos. E a dada altura ele perguntou-me com que materiais me sentia mais à vontade.
Disse: ágata e madrepérola.
Ele disse: traz-los.
Foi mesmo isso. Sem longas negociações, sem processos morosos. Ele abriu simplesmente espaço para o que eu já sabia fazer — e confiou que tinha lugar aqui. As palhetas de madrepérola nasceram dessa conversa. Também os pendentes Keepsake, onde cravejo abalone em algo feito para ser usado. Não eram peças para as quais alguém me tivesse dado um desenho. São peças que fiz porque alguém acreditou que mereciam existir.

É uma sensação diferente. Difícil de explicar para quem não passou anos sem ela.
Há mais séries a caminho — todas feitas pelas minhas mãos, todas com materiais que conheço bem. Ainda estou a descobrir o que mais este lugar pode conter.
Mas sei porquê estou aqui.

Vê a colecção completa em pickandcase.com.